sábado, 27 de abril de 2013

Homenagem à Hiromi Sato



Escrevi este artigo em memória de Hiromi Sato, assassinada pelo marido no fim de semana (20/21 de abril). Foi no apartamento do casal, em Higienópolis, São Paulo. O crime brutal chocou o país. E levantou ainda mais alto a bandeira da luta contra a violência doméstica e o massacre de mulheres.

O holocausto de Hiromi Sato
Carlos Amorim
Enterramos a Hiromi na manhã da terça-feira. Um dia luminoso e frio. Nós a colocamos na terra avermelhada do Cemitério da Paz, entre árvores antigas e vegetação bem cuidada. Os sons do sino de cobre budista perambulavam entre nossa dor e pesar. Como se viessem do próprio ar. Um alívio precário e sutil para tanto sofrimento. Os cânticos do sutra dos mortos, na voz perfeita do monge, se repetiam como um mantra. Versos que falam do nascimento e da vida – e não dos horrores que presenciamos nos últimos dias. Aquele sacerdote veio do mosteiro do Jardim da Saúde, bairro onde Hiró, como a chamávamos carinhosamente, passou a maior parte da vida.
Tive dificuldade para reconhecer a Hiromi Sato no velório. Protegida por maquiagem pesada, não era mais a mulher que conheci. O sorriso fácil que ela tinha – ao mesmo tempo tímido – desapareceu. Os dentes dela foram quebrados. E a prótese mortuária que colocaram no lugar mantinha os lábios entreabertos numa súplica estranha. Cremes e tintas disfarçavam um trauma sofrido na face esquerda, além de incontáveis pequenos ferimentos no rosto.
Hiromi foi assassinada pelo próprio marido, o advogado Sérgio Gadelha, um homem ensandecido.
A violência que desabou sobre ela foi tamanha, que os peritos disseram que vai ser difícil precisar a hora do crime. Tantos foram os ferimentos e lesões por todo o corpo. Estava arrebentada na parte posterior do crânio. No colo e no pescoço havia um enorme hematoma roxo, resultado do estrangulamento. Entre o tórax e a barriga, outra grande mancha escura, possivelmente por conta e uma hemorragia interna, talvez consequência de um pisão ou de pontapés.
Assim foi o holocausto de Hiromi Sato.
Ela não tinha ferimentos nas mãos. Nem unhas quebradas. Isso seria típico de quem tentou se defender. O marido assassino, bem maior e mais pesado do que ela, não apresentava um único arranhão que se saiba. Hiró não pode se defender. Ou não teve tempo. Ou não estava consciente. Talvez a pancada na cabeça a tenha desacordado. E o massacre veio depois, covardemente.
Os dois se conheciam há uns trinta anos, trabalharam juntos. Mas estavam casados há pouco tempo. Talvez uns dois anos. Sérgio disse que era apaixonado e a matou por ciúmes de um antigo namorado. Nem o calçamento de pedra do cemitério acredita nisso.
Eu gostava do Sérgio. Era um cara brincalhão, divertido, piadista. Contava histórias de suas viagens, citava poesias de memória. Falava um inglês macarrônico, porém corretíssimo. Quando bebia – e o sujeito bebia muito -, mancava ainda mais da perna direita e ficava mais engraçado. Sérgio e Hiromi estiveram na minha casa várias vezes. Mariê e eu os recebíamos com satisfação. Nunca vi um gesto que fosse de agressividade entre eles. Mas Hiromi foi morta a pancadas. E o Sérgio que eu conhecia se dissolveu numa névoa de malignidade. Para mim, o monstro apareceu de repente, no último fim de semana. Agora só o vejo pela televisão e nas fotos dos jornais. Está calmo e distanciado. Traz no rosto uma arrogância inexplicável. O policial que o prendeu contou que estava sentado no sofá da sala assistindo a TV. Enquanto a mulher, caída no chão do quarto e quase nua, queimava o seu último carma. De Sérgio, os vizinhos falam barbaridades. Inclusive que correu com uma faca atrás de uma das suas ex-mulheres. Têm medo dele. Nós não sabíamos dessas coisas. Tinha até outras passagens pela polícia.
Algemado e sendo colocado no camburão da polícia, diante das câmeras, falou aos repórteres sumariamente: “não tenho nada a dizer”.
A confusão no apartamento da Rua Pará começou na sexta-feira. Os viszinhos ouviram gritos e coisas se quebrando. Os vizinhos – repito – tiveram dificuldade para dormir, tão grande foi a barulheira. E os desentendimentos continuaram na madrugada do sábado. Depois, o silêncio sinistro. Todos nós achamos que foi aí que ela morreu. Por volta da meia-noite de domingo para segunda, a filha do Sérgio chegou de viagem. Juliana telefonou para o apartamento e o pai teria dito a ela: “venha rápido para cá, porque fiz uma grande bobagem”. Imaginem: uma bobagem. Hiró já estava morta. Há quanto tempo, não se sabe.
Sérgio não fez qualquer tentativa de pedir ajuda para a mulher. Curioso: o porteiro reparou que ele saiu do prédio duas vezes. Mas não pediu socorro a ninguém. Foi comer alguma coisa? Quem sabe um cinema? Ou comprar outra garrafa de uísque? Ninguém sabe.
Ao chegar à cena do crime, Juliana ligou para Tomi, irmã da mulher trucidada. Disse que era preciso chamar uma ambulância, porque Hiromi “está muito mal”. Tomi ligou e disparou em seu carro para o apartamento de Higienópolis, imaginando que fosse uma crise glicêmica da irmã diabética. Mas, como sabemos, Hiromi já era. Tomi viu o corpo da irmã jogado no chão, ensanguentado. Ao chegar ao apartamento, os paramédicos que lá estavam já haviam se dado conta de que era um homicídio e chamaram a polícia.
Este é – resumidamente – o roteiro da tragédia que caiu sobre todos nós no último fim de semana. É o texto de uma violência desmedida que nos deixa sem saídas. Espero que os juízes que vão decidir o caso tenham piedade de nós. Tenham pena de nós, que ficamos por aqui.
Para a pequena Hiromi, que tinha mãos de criança, desejo a luz e um silêncio delicado que possa lavar seus gritos em nossas mentes. E deixar só o sorriso fácil e meio tímido.
A você, Sérgio, desejo sinceramente que apodreça no fundo de uma cela. E que nunca mais veja a luz do sol.”



Quando  resolvi  publicar este texto o Sérgio Brasil Gadelha já havia sido enviado para casa em prisão domiciliar pelo Juiz, devido à idade e por não ter se evadido do local e por ter colaborado com a polícia nas investigações.  E assim ficará até a data do julgamento!

Hiromi, onde você   estiver, receba nosso carinho!

terça-feira, 2 de abril de 2013

PERFUME E MODA


O post de hoje é para os apaixonados por cheiros.  Perfume e moda têm tudo a ver. Isso porque as casas de Alta Costura viram nas fragrâncias um grande potencial econômico: transformaram os perfumes em itens fundamentais na promoção do imaginário da marca, ressaltando o cárater de luxo e a identidade das grifes, ao mesmo tempo em que ampliavam seu número de consumidores – já que a perfumaria trabalha com produtos muito mais acessíveis e democráticos.

Essa tendência teve início em 1910, quando Paul Poiret criou Coupe D’or, sua primeira fragrância, que passou a ser vendida na mesma loja em que o o estilista francês comercializava suas roupas, a Rosine. Até então, vender perfume era um negócio independente, mas o “casamento” com a moda passou a permitir às marcas exprimir, com suas fragrâncias, a mesma originalidade, criatividade, sofisticação e elegância que transmitiam em suas roupas. Foi assim que, por volta de 1975, as casas de Alta Costura francesas, que já quase não podiam sustentar seus negócios apenas com a moda feita sob medida, passaram a se concentrar no lançamento sistemático de cosméticos, fragrâncias e roupas prêt-à-porter. A saída, que alavancou os negócios, mantém-se até hoje e movimenta milhões de dólares em todo o mundo: o perfume, além de ser um produto de luxo mais acessível, em termos de preço e de facilidade para atravessar fronteiras e agradar culturas distintas, têm um cárater lúdico, sensorial, quase mágico.

 
 
E para quem se interessa pelo assunto,  o site OsMoz.com.br foi, finalmente, lançado no Brasil. A página funciona como uma espécie de enciclopédia virtual para os interessados em aromas, contando com uma biblioteca de mais de quatro mil fragrâncias. Dá para imaginar?! Para fazer parte é necessário se cadastrar (gratuitamente), mas vale muito a pena! O OsMoz é atualizado diariamente com produtos novos, além de vídeos e entrevistas com perfumistas (tem que ver!) e quem assina a página é a Firmenich, uma das maiores casas de fragrâncias do mundo. Vale muito a visita! Quem sabe você não sai de lá com mais vontade de para aprender sobre essa combinação que vem, há centenas de anos, nos apresentando as criações tão ricas quanto aquelas cheias de tecidos, bordados e costuras? Conhecimento nunca é demais, e, quanto mais amplo, mais abre o nosso olhar fashion.
 
Um carinho especial a todos!
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

2013 COM BOAS ENERGIAS


E mais um ano começou! Cheio de boas energias, promessas, objetivos, sonhos a se realizar.
Para nossa família o primeiro sonho que se realiza:  o casamento de mais um filho. E eu não poderia deixar de compartilhar aqui toda minha felicidade e alegria.  Em 17 de janeiro meu filho Adriano se casou com a linda e querida Vanessa. Seja muito bem-vinda, Vanessa!!!  Que a nova vida seja plena de muito amor e felicidade sempre!!!


Bom princípio!   É assim que as pessoas se cumprimentam em algumas cidades do interior, depois da virada do ano. Isso significa o desejo de um bom início de ciclo. Afinal, momentos de transição são ótimos para evoluir, transformar e melhorar.
E é exatamente nessas horas que tentamos colocar nossas melhores energias, pensamentos e sentimentos positivos. O desejo e a esperança de melhores dias, mais bem-estar, prosperidade e amor. Dar um basta no que não queremos mais na nossa vida e pedir/torcer/vibrar para ter mais do melhor. E devemos mesmo fazer isso, mas é lógico que toda essa energia positiva colocada nesses momentos de mudança deve ser nutrida ao longo do ano.
Queremos que o mundo ao nosso redor melhore e, para isso, temos que melhorar o nosso pequeno mundo. Pensar e mentalizar coisas boas na virada de ano não vai operar milagres, é só o primeiro passo. Mas para essa ajuda inicial temos os cristais.
Cristais ajudam a atrair energia positiva
Para atrair as energias necessárias que simbolizam tudo de bom que queremos para esse ano, que tal preparar uma taça da prosperidade? Ficará um lindo arranjo com cristais que além de enfeitar e energizar o ambiente, podemos usá-lo para preparar uma essência floral para borrifar na casa. Confira abaixo como tirar proveito dos cristais em 2013.















para energizar a casa para o inicio do ano opte pelos cristais:
Quartzo Verde –Oferece mais saúde
Quartzo Branco - Oferece paz e harmonia.
Quartzo Rosa - Estimula o amor próprio e incondicional.
Quartzo Azul - Ajuda a limpar as mágoas
Sodalita - Oferece mais clareza mental
Ametista - Oferece sabedoria e serenidade.
Água-Marinha - Torna a comunicação mais clara.
Citrino - Estimula a força de vontade.
Ágata de Fogo - Oferece mais criatividade e vitalidade.


Taça da Prosperidade
Escolha alguns dos cristais listados acima, de acordo com os benefícios que deseja para sua vida. Escolha uma taça bem bonita e um local de destaque na sala de estar ou mesmo na mesa de jantar - para trazer os benefícios das pedras para o ano que inicia. Coloque os cristais na taça ou taças (você pode fazer mais de uma) e arrume de forma que todos os cristais fiquem à vista.
Tenha um spray floral à base de rosa, cedro e bergamota.
Borrife essas pedras para manter o perfume no ambiente. Deixe a taça da prosperidade por alguns dias, para espalhar boas energias na sua casa.
Lembrando que tanto a taça como  todos os cristais devem estar bem limpos e energizados.


COMO LIMPAR E ENERGIZAR SUA PEDRA
Faça uma limpeza física com bastante água com escova de cerdas macias (de preferência naturais) para retirar os materiais presos e um pano de algodão.
A limpeza energética pode ser feita de várias maneiras: colocando as pedras em cima de uma druza, deixando-as na chuva, lavando-as em água corrente ou mesmo água com sal grosso. A limpeza escolhida deve ser a que mais se afina com sua pedra e você.
A energização das pedras e cristais pode ser feita pela luz do sol ou da lua, pelo fogo, pela terra, pela chuva ou tempestade, pela cachoeira ou pelo mar. Escolha a forma que tem mais a ver com sua pedra e você.
Um carinho especial a todos e Feliz 2013!!!!
Texto baseado em artigo escrito por Simone Kobayashi autora do livro Pedras e Cristais


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E O NATAL CHEGOU NOVAMENTE!









O tempo passou rapidamente! Nem percebemos e já é Natal novamente! E neste ano queremos deixar aqui uma mensagem diferente, uma mensagem que vimos no blog de uma pessoa amiga muito querida, a Claudia, do Claudiaroma.



“Nesta época onde existe a oportunidade de parar um pouco e aproveitar para respirar fundo! Pare e respire!

Você morrerá se ficar segurando sua respiração, porque ela ficará viciada, sufocada e sem vitalidade. O mesmo acontece com o amor. Ele precisa ser renovado a cada momento. Sempre que alguém se apaixona e pára de respirar, a vida perde o significado. É isso que tem acontecido às pessoas: a mente se torna tão dominadora que passa a controlar até mesmo o coração, que fica possessivo por influência da mente. Lembre-se de amar a existência e deixar que seu amor seja como a respiração.


   


INSPIRE, EXPIRE, FAÇA COM QUE O AMOR ENTRE E SAIA DOS PULMÕES


Sua respiração muda conforme suas emoções, da mesma forma que suas emoções influenciam sua respiração. Você pode praticar esse exercício diversas vezes durante o dia.


Este é um dos melhores exercícios para abrir o coração.

  
E neste Natal não nos esqueçamos daquele que é realmente o Aniversariante.  E que  possamos muito mais agradecer do que pedir. Um Feliz Natal  e  um Ano Novo repleto de prosperidade e boas energias. Aproveitamos para comunicar que durante os meses de Dezembro e Janeiro  estaremos desfrutando da companhia dos filhos, familiares e amigos. Até breve!

Um carinhos especial a todos!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Histórias e Mitos no Mundo dos Perfumes



Para quem gosta e curte tudo sobre perfumaria, um texto que vale a pena ler!


Sabia que a vaidosa Cleópatra recebia seu amado Marco Antonio com um aromático tapete de rosas-do-Oriente?

Sabia que o Chanel Nº 5, ícone da perfumaria, usa como fixador uma secreção natural retirada dos testículos de gatos selvagens indianos?


Pois é, perfume também é cultura. E está na moda, tanto para as mulheres quanto para os homens. Mas esses verdadeiros objetos do desejo não garantem espaço nas prateleiras das lojas sem eficientes estratégias de marketing e ricas campanhas publicitárias. Só no Brasil, os consumidores gastam mais de US$ 100 milhões por ano para se perfumar. Nos Estados Unidos o mercado movimenta US$ 2,3 bilhões, levando a concorrência a lançar cada vez mais produtos e renovar outros já existentes.

Uma boa amostra do poder da publicidade e do marketing no reino dos perfumes está no lançamento do L'Eau d'Issey, do estilista Issey Miyake. Primeiro foram criados o frasco e a campanha, só depois surgiu o perfume. Sua criadora, Chantal Roots, acredita que ninguém precisa de mais um aroma: "A mulher precisa é de uma nova imagem."

Os perfumes do início do século respondiam a uma fantasia pessoal. Nas últimas décadas começaram a aparecer perfumes já pensados para um tipo ideal de pessoa.


Lançado por Calvin Klein em 1994, o CK One teve uma campanha milionária estrelada pela top model Kate Moss, que aparece em fotos ao lado de uma garotada andrógina, reforçando o caráter unissex de um estilo que se afirmava naquele momento. Resultado: o CK One foi um sucesso de vendas, rendeu muitos milhões de dólares à empresa e tornou-se o carro-chefe.

A Maison Dior, em 1980, decidiu criar um perfume para atingir consumidoras tão distintas quanto uma de Dallas, nos Estados Unidos, e outra de Osaka, no Japão. Batizou sua criação de Poison (ou "veneno"), investiu US$ 26 milhões e em apenas 18 meses obteve um retorno de US$ 66 milhões.

O COMEÇO DE TUDO

A utilização de perfume começa mesmo com os egípcios. Eles utilizavam preparados aromáticos na oferenda aos deuses. A comunicação com o além se concretiza pelo uso de essências aromáticas e especiarias na forma de incensos e pastilhas redondas. O embalsamento dos mortos foi a segunda função dessas preciosas substâncias.

Em seguida os egípcios passam aos primeiros óleos corporais, adotados pela vaidosa Cleópatra, que também costumava perfumar as velas de suas embarcações, receber o amado Marco Antonio com tapete de rosas-do-Oriente, além de tomar banhos com leite de cabra para embelezar a pele.

Os romanos mandavam seus pedidos aos deuses através de fumaças odorizadas, as "perfumum", que deram origem ao nome perfume. E utilizavam preparados aromáticos nos cabelos, nos cães e até para perfumar os ambientes onde faziam refeições. Os árabes, mestres no comércio de especiarias, contribuiram muito para a difusão do perfume.


No Ocidente, durante a Idade Média, os padres consideravam o uso do perfume um grande pecado, pois segundo eles exaltava o lado sensual e profano do corpo.
A primeira composição ocidental foi a "Eau de Hongrie", no século XIV. E a perfumaria tornou-se uma atividade industrial no século XVI. No século seguinte houve uma difusão sem limites do perfume, usado principalmente na higiene pessoal. No fim do século XVIII nascem as primeiras Maison de perfumaria, como a Houbigant.

No século XIX o romantismo leva ao sucesso as fragrâncias florais de Guerlain, Bourjois e outros. Nesta mesma época, as essências sintéticas começam a ser fabricadas a partir das conquistas da química orgânica moderna.


CADA DÉCADA TEM SEU CHEIRO

O casamento entre moda e perfumaria teve início no final do século XIX, quando Guerlain assinou um perfume. Porém foi o Chanel Nº 5 o primeiro a trabalhar bem a publicidade; acabou tornando-se um mito.

A Maison Guerlain, com mais de 250 perfumes criados por vários membros da família, é responsável por duas obras-primas da perfumaria francesa: Mitsouko, de 1919, e Shalimar, de 1925, cuja composição relembra os aromas do Oriente, a base de benjoim, patchuli, incenso e opopânace.

Shalimar foi um marco nos loucos anos 20, ao lado do Chanel Nº 5. Criado em 1921, o Nº 5 (o próprio nome já era uma ousadia para a época) foi o primeiro perfume lançado por um criador de moda e não por um perfumista. Logo tornou-se clássica essa mistura de rosa de maio, jasmim de Grasse, muguet, aubépine e junquilho, potencializada pela utilização de aldeídos. Coco Chanel costumava dizer que "uma mulher que não se perfuma não tem futuro", tomando para si a frase cunhada pelo amigo poeta Paul Valéry.

Outra obra-prima dos perfumes desta época foi Arpège, de Jeanne Lanvin, criado em 1927: uma mistura de rosa-da-Bulgária, jasmim-de-Grasse, muguet selvagem, camélia e jacinto-azul.

Nos anos 30 foi criado o perfume que até hoje é considerado o mais caro da indústria francesa pelas proporções que usa de jasmim-de-Grasse e de rosas-da-Bulgária: o Joy, de Jean Patou, que em sua composição ainda exige muguet e ylang-ylang. O frasco foi desenhado em cristal Baccarat.

L'Air du Temps, de Nina Ricci (1948), e Miss Dior (1947), de Christian Dior, correspondem à euforia do pós-guerra.L'Air du Temps, até hoje um dos perfumes mais vendidos em todo o mundo, tem sua composição estudada pelos alunos de perfumaria como um clássico de arquitetura floral. Trata-se de uma mistura de gardênias, sândalo, jasmim, ylang-ylang, cravo e rosa.

Na década de 50 os perfumes americanos fazem frente aos franceses, a partir de lançamentos como Youth-Dew, de Estée Lauder, em 1953. A década de 60 traz os aromas de patchuli e almíscar.

Nos anos 70 explode a indústria do perfume. A nova independência da mulher é traduzida por florais verdes como Charlie, da Revlon, enquanto a onda "disco" elege Halston, do estilista das celebridades, e Opium, de Yves Saint Laurent. As fragrâncias dos anos 80 refletem a problemática e o psiquismo de uma geração agressiva, ousada, sexy. Exemplos: Poison, de Dior, e Paris, de Saint Laurent.

Na década de 90 as fragrâncias mais sutis ganham espaço, com flores exóticas aliadas a notas frutais. Enquanto mais e mais perfumes são lançados, as mulheres se voltam também para os clássicos. Família e compromisso são os valores atuais, assim como a consciência ambiental. É ainda o momento da Aromacologia, com as fragrâncias aromaterápicas de efeito relaxante e anti-stress, além dos perfumes sem álcool, a exemplo do infantil Petits et Mamans, de Bulgari.

Vale destacar ainda Relaxing Fragrance, da Shiseido, uma mistura oriental de ervas como ginseng, flores como rosa-chá e especiarias como cardamomo. Outra novidade é a linha de tratamento para o corpo e o espírito lançada por Kenzo, que inclui o Thé de Beauté - um chá relaxante e revitalizante -, gel de banho e hidratante.

FRASCOS PARA SONHAR


Se o perfume é o prolongamento da personalidade de quem usa, o frasco representa um convite ao deleite visual e tátil. Em forma de folha, de gota, de espiral, de estrela ou de corpo feminino, os frascos de perfume são verdadeiros tesouros da imaginação, cheios de criatividade, beleza e arte.

É por isso que não compramos apenas um perfume, mas "um frasco de perfume".
As formas desses preciosos "porta-jóias" são, no decorrer da história, de uma infinita variedade graças à maleabilidade do vidro e às diversas técnicas de fabricação. Obras-primas de alguns dos maiores criadores, considerados autênticos "gênios da garrafa".

Do inesquecível René Lalique ao moderno Fabien Baron, passando pelos competentes Pierre Dinand e Serge Mansau.Exímio fabricante de jóias, o francês René Lalique teve no vidro sua grande fascinação, explorando ao máximo esse material ao qual seu nome ficou ligado para sempre. Ele já desenhava e esculpia no vidro luminárias, vasos, taças e objetos de mesa, quando em 1907 conheceu Robert Coty, da famosa marca de cosméticos e perfumes, que encarregou o artesão de projetar o frasco perfeito para conquistar definitivamente as mulheres. Uma parceria intensa que resultou em diversas obras-de-arte, como "L'Effleurt", "Ambre Antique" e "Cyclamen".

A partir daí, a maison Lalique criou frascos de perfume para griffes como Worth ("Dans la Nuit", de 1920, por exemplo) e Nina Ricci ("L'Air du Temps", de 1947; "Capricci", de 1961; "Farouche", de 1974).

René Lalique teve dois filhos: Suzanne, que se dedicou ao design cênico, trabalhando com a Comédie Française, e Marc, que até 1977 esteve à frente da empresa desenhando belos frascos. Hoje quem comanda a Lalique France é Marie-Claude (também uma excelente designer), da terceira geração da família.

O designer francês Fabien Baron vive em Nova York há quase duas décadas. Aos 38 anos, dirige a agência de design e publicidade que leva o seu nome, Baron & Baron, e também atua como diretor artístico da conceituada revista de moda Harper's Bazaar. É muito respeitado por seu estilo contemporâneo, moderno e provocante. Tanto que em 1994 recebeu o Prêmio Especial da Influência nas Artes, concedido pelo CFDA - Council os Fashion Designers of America.

No currículo de Fabien Baron constam os desenhos de frascos que ele fez para o CK One, de Calvin Klein, e para os perfumes de Jean-Paul Gaultier e Issey Miyake. Além do Poême, o mais recente lançamento da Lancôme. Segundo Baron, "o frasco de Poême é um prisma que transfigura a luz como a poesia transfigura a realidade." Ele diz ainda que "quando as pessoas compram um perfume, levam para casa mais que um simples frasco."
Com 67 anos, o também francês Pierre Dinand figura entre os grandes designers. Foi ele o criador de inúmeros frascos para a Tiffany, assim como do perfume Opium, de Yves Saint Laurent, AV, de Adrienne Vittadini, e de 400 outras fragrâncias, como Eternity e Obsession, ambas de Calvin Klein.

O frasco que ele desenhou para o perfume feminino Armani teve inspiração nas linhas arquitetônicas italianas da Villa Rotunda, projetada por Andrea Palladio. Atual designer da empresa Parfums Créatifs, desenvolveu os frascos dos perfumes C'est Moi, Perle Noire e Casbah, comercializados pela Avon. Dinand considera o frasco "a casa em que vive uma fragrância".



DICAS

Não experimente mais que três perfumes quando for comprar. Você corre o risco de acabar confundindo o seu olfato e sair com o perfume errado.  

Perfume "certo" é aquele que combina com a sua pele. Lembre-se que ele está relacionado à raça e ao metabolismo de cada pessoa. Portanto, atenção na escolha.

Procure não se perfumar quando for se expor ao sol. Sua pele pode acabar manchada por causa da fotossensibilidade.

Não existem perfumes específicos para cada estação. Use mais no inverno e menos no verão.

Segundo a aromaterapia, o perfume da Rosa estimula a mulher para o amor. Alecrim aguça o carisma masculino.

*Texto:  Roberto Pires, jornalista e pesquisador, é autor do curso "Perfume: Histórias e Mitos" e da exposição de frascos de perfume "Frascos de Sonho".


Um carinho especial a todos! Até mais!